Arquivo do mês: setembro 2009

Jovem casal faz imersão na cultura nordestina

ariel-cibele-babel-das-artesO casal paulistano Ariel e Cibele são nossos filhos. Eles chegaram da Irlanda, onde passaram um ano estudando a língua inglesa (e experimentando umas Guiness, of course). Ficaram entusiasmados com a experiência na ilha e decidiram voltar para a Europa. Só que agora o destino é Londres.

Em João Pessoa, ficaram durante dois meses vivendo a cultura nordestina com tempero sertanejo e a brisa do mar.

Na Babel das Artes, Cibele posou para fotos com faixas de cabelo em macramê de cetim, levou bolsa de tecido e anel de rosa de escamas de peixe. E ainda promoveu a loja fazendo fotos com bolsas pintadas em lona, faixa em renda com chita, faixa com renda bordada e cachecol com flor.

Ariel arrematou o ex-voto para “promessa de amor” (encomenda de uma amiga de Londres). De resto, preferiu investir seus pounds em iguarias nordestinas. Comeu de tudo: feijão verde, favada, bode, rubacão e carne-seca e viciou nas tapiocas recheadas com doce de leite, no suco de cajá, no cuscuz com leite de coco e no queijo de coalho com mel de engenho.

Ambos gostaram, sobretudo, do sol e da brisa no rosto, depois de tanto tempo estudando e trabalhando em em Dublin — cidade onde a temperatura mais alta é 17ºC.

Queridos, esperamos vocês de volta! Saudades!

London Design Festival promove debate sobre artesanato em “Craft: an essential luxury?”

london-design-festivalComeçou ontem (19) um dos maiores festival de design do mundo, o London Design Festival. Este ano, além de novas tendências, produtos, apresentações, “open studios”, mostras e instalações, consta na programação um importante debate sobre artesanato com o tema Craft: an essential luxury? (Artesanato: um luxo essencial?)
Veja texto de apresentação:

Consumo obsessivo está fora de moda e em seu lugar há uma valorização crescente de produtos artesanais. No entanto, como o interesse do consumidor em artesanato cresce, as empresas artesanais, que constituem os alicerces da indústria do luxo, estão em declínio. O debate surge para explorar o que pode ser feito para contemporizar, promover e apoiar o artesanato. O evento vai reunir parceiros e apoiadores do projeto “Crafted — promover a geração do artesanato de luxo” para sensibilizar e reforçar os laços entre os produtores de artesanato e os setores de bens de luxo. O projeto é desenvolvido por Arts & Business e do Grupo de Walpole e financiado pela American Express.

Quem promove o debate é a Arts & Business, que há 30 anos oferece serviços e programas de trabalho para incentivar o apoio do setor privado nas artes e na cultura.  Segundo a empresa, no coração deste trabalho existe a crença de que as artes têm o poder de transformar e mudar a vida, tanto a nível individual e corporativo.  Para mais informações contactar laura.hollis-ryan@artsandbusiness.org.uk

Craft: an essential luxury?

25 de setembro, das 16h às 17h30. West: Brompton Design District – Sackler Centre – Victoria & Albert Museum – Cromwell Road, SW7 2RL

Chita encanta e conquista a produtora cultural

rita-maraRita Mara é produtora. Nossa amiga já produziu shows para vários artistas, entre eles, Lulu Santos. A paulistana, radicada no Rio de Janeiro esteve em João Pessoa para visitar familiares e amigos.

Um dos passeios turísticos pela cidade foi pelo Mercado de Artesanato, em Tambaú, onde está a Babel das Artes. Na loja, gostou da chita pintada na caneca de porcelana produzida pela Ong Jovem Artesão. Acabou levando pra cidade maravilhosa o delicado porta-moedas de chita de As Cabritas. Em sua estada, aprendeu a bordar e presenteou a gente com uma capinha para a nossa máquina fotográfica! O tema do bordado escolhido foi o logotipo da Babel das Artes. Já viran presente mais carinhoso? Logo a gente bota a foto aqui.

Beijos, Rita! Amamos revê-la!

Alegre o seu dia com pássaros em patchwork — com retalhos de tecido

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A primavera está chegando e os pássaros ainda não apareceram na sua janela? Enquanto isso divirta-se fazendo estes pássaros com retalhos de tecidos. Os moldes (em inglês) foram disponibilizados pela fábrica de tecidos para patchwork. Os pássaros podem ser usados em móbiles, guirlandas, galho de árvore ou no pinheiro de Natal.

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Para ver a matéria completa vá no site www.spoolsewing.com e conheça os incríveis padrões de tecidos.

Chimarrão será tombado pelo Iphan como Patrimônio Nacional

chimarraoAté o final do ano, o projeto de pesquisa do “Chá da Amizade” deverá ser encaminhado para o Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan. A proposta é do Núcleo de Cultura de Venâncio Aires (Nucva), no interior do Rio Grande do Sul e tem a aprovação do Ministério da Cultura e o patrocínio da Petrobras.

Não existe previsão de conclusão da análise pela comissão do Iphan, pois o trabalho envolve enfoques antropológicos, biológicos, farmacológicos, históricos, entre outros aspectos. O projeto de pesquisa foi focado na reconstrução histórica acerca da importância da produção ervateira para o município de Venâncio Aires e para o Estado, os processos de beneficiamento da erva-mate e as formas variadas de confecção do chimarrão. Venâncio Aires/RS é conhecido como Capital Nacional do Chimarrão, com 4 mil hectares de erva-mate. Apesar de o fumo ser responsável por 70% da economia, a erva e o hábito do chimarrão são os principais destaques da cidade. A principal bebida dos gaúchos encontra na Festa Nacional do Chimarrão (Fenachim) a sua maior divulgação.

O Instituto Escola do Chimarrão, de Venâncio Aires, divulga por todo o Estado que a bebida pode ser apresentada para o consumo em 36 modelos diferentes: Saúde (elaborado com chás), Toca de tatu, Copa, Furo alto, China pobre (cevado com pouca erva), Da praia (socado para não voar erva), Do carro (com capa para não virar), Repartido, Quadrado, Triângulo, Tapado, Ferradura, Invertido, Do prego, Meia-lua, Engrenagem, Estrela, Ninho, Apaixonado, Escavado, Vulcão, Roda de carreta (no qual a bomba faz o papel do eixo), Flor, Formigueiro, Primavera, Homenagem (traz a inscrição Fenachim), Mate amargo, Mate doce, Achego, Tradicional, De canhoto, Tradicional sem topete, Tererê (feito em cuia de taquara, madeira ou guampa), Poço, Ponte, Gaúcho macho (servido através da bomba). Além das 36 formas diferentes de cevar um mate, a entidade propaga a importância do hábito para a socialização das pessoas e para a saúde.

Dentre os bens já registrados como patrimônio imaterial do País destacam-se o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras, Modo de Fazer Viola de Concho, Feira de Caruaru, Frevo e Samba de Roda do Recôncavo Baiano. O registro de bens culturais foi instituído pelo decreto 3.551, de 4 agosto de 2000.

Informações do site Defender

Maio de 1968 em Paris é tema de exposição em João Pessoa/PB

Uma instalação no Centro Cultural Zarinha, em Tambaú, promete contar como a insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade e de classe em maio de 1968, em Paris. Criada por Alexandrino Filho, professor de literatura francesa da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, a Instalação – “O Poético e o Político em Maio de 68 na França” recebeu o nome de Paralelepípedos, a Praia. É composta por torres ilustradas por slogans, mais de 100 cartazes e mais de 100 imagens da época. A exposição foi apresentada pela primeira vez em maio do ano passado, no centro de vivência da UFPB e pretende colocar o público em contato com o legado ideológico do movimento.

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Segundo Alexandrino Filho, o título é um dos slogans que se usava na época, na linha do “Sejamos realistas, exijamos o impossível”. “Sob os paralelepípedos, a praia’ significa que debaixo do velho tem o novo”, que é preciso quebrar uma estrutura podre para fazer o novo surgir. Além disso, há a relação do paralelepípedo com o duro e a praia com a areia, o prazer do verão”. Ele também lembra que os paralelepípedos das ruas eram as armas dos manifestantes para enfrentar a polícia.

Até 01 de outubro. De seg. a sáb. das 14h às 21h. Av. Nego, 140, Tambaú, João Pessoa/PB

Exposição Pierre Verger em Salvador/BA

pierre-vergerPierre Verger é um ícone da fotografia francesa  e dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana – o comércio de escravo, as religiões afro-descendentes e os fluxos culturais e econômicos.

A exposição “De um Mundo ao Outro – Pierre Verger nos anos 30″, em Salvador/BA faz parte das programações para o Ano da França no Brasil e resume o trabalho do fotógrafo. Retrata um momento crucial em sua trajetória, quando decidiu romper com o modo de vida burguês após a morte de sua mãe e começou a fotografar.

Sob curadoria de Cláudia Possa, a mostra reúne cerca de cento e oitenta fotos, 30 documentos originais, 11 reproduções grande formato e um audiovisual, que mostram como era o ambiente cultural-artístico vivido por Verger nos anos 30.
De 16 de setembro a 18 de outubro Palacete das Artes Rodin Bahia. Rua da Graça, 292 – Salvador
De terça a domingo, das 10h às 18h. Entrada gratuita

A dica é do Terra Magazine

Babel das Artes no Jornal oficial da Paraíba

No dia 15 de setembro, a publicação oficial do Governo do Estado, o jornal A União, deu a notícia na seção Destaque.

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Caldeirão: 73 anos do massacre de agricultores no semi-árido

comunidade-caldeirãoA comunidade do Caldeirão era liderada pelo beato paraibano José Lourenço e apoiada por Padre Cícero. Tratava-se de uma área de 500 hectares em que se construía uma comunidade auto-sustentável. Naquele chão, no interior do Ceará, tudo era feito em sistema de mutirão e cooperação. As obrigações eram divididas e os benefícios distribuídos conforme as necessidades de cada um.

Após os primeiros anos de adaptação, as atividades foram diversificadas e a comunidade caminhou para a auto-suficiência, produzindo quase tudo de que precisava: desde roupas e sabão até panelas, copos e baldes. Para tanto, os artesãos, carpinteiros e ferreiros utilizavam matéria-prima local. Os tecidos, por exemplo, eram feitos com algodão cultivado na própria fazenda. O que não conseguiam obter ali era comprado nas cidades próximas.

A Desapropriação da comunidade do Caldeirão no semi-árido cearense gerou um saldo de 700 mortos (400, segundo dados oficiais).  Naquele dia, a polícia militar do Ceará e os aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) metralharam crianças, homens e mulheres — religiosos e pacíficos — que, por dez anos, tinham buscado apenas uma forma de sobreviver às mazelas da vida sertaneja: seca, fome e coronelismo. Nenhum soldado morreu.

No Museu Histórico do Ceará há poucos vestigios do Caldeirão: a bandeira da Comunidade (em um armário com vidro tem manchas de sangue), três reproduções fotográficas publicadas em jornal da época e uma espingarda aparentemente não muito manuseada ao lado de um machado.

Em 21 de março de 2005, o Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Ceará (Coepa) tombou uma área de 60 hectares pertencente ao núcleo do que um dia foi o sítio Caldeirão. Com isso, o governo estadual tenta corrigir um erro histórico, reconhecendo a importância do episódio em que migrantes, principalmente do Rio Grande do Norte, viveram uma utopia de igualdade e auto-suficiência. A medida, porém, não pode reparar a morte dos 700 seguidores de José Lourenço, discípulo do padre Cícero.

Para saber mais: Documentário O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, 1986, e Um Beato Líder – Narrativas Memoráveis do Caldeirão, publicado em 2004, pelo pesquisados Sávio Cordeiro. Também tem “De Caldeirão a Pau de Colher: A guerra dos caceteiros”, do geólogo e pesquisador baiano Ruy Bruno Bacelar de Oliveira. “Cangaceiros e Fanáticos”, de Rui Facó e “O Messianismo no Brasil e no Mundo”, de Maria Isaura Pereira de Queiroz.

Não deixe de ler a reportagem sobre os 70 anos do massacre no site Repórter Brasil. Você vai descobrir, inclusive, que no Brasil já teve campos de concentração. Há também matéria no site A nova Democracia.

A xilogravura e o cordel instigam reflexão e debate no Cariri

Xilogravura sobre azulejo de José Lourenço

Xilogravura sobre azulejo (José Lourenço) 15 x 15 cm = R$ 20 ESGOTADO

A xilogravura é a gravura feita com uma matriz de madeira. Juazeiro do Norte/CE é o berço da xilogravura do Brasil e se tornou centro de reflexões e pesquisas sobre a a técnica — uma das mais significativas manifestações artísticas vinculadas a arte popular.

Na cidade há artistas relevantes, com destaque para a figura de João Pereira da Silva, um dos mais representativos xilógrafos e de José Lourenço, um dos contemporâneos que marcam época e contribuiem para a solidez do ofício. O trabalho do Sesc Cordel também fomenta a arte da xilo e do cordel e os poetas locais aderiram ao movimento da Academia dos Cordelistas Malditos.
 Esta efervecência levou a cidade a realizar este mês o seminário “100 anos da xilogravura ilustrando o cordel” evento cordenado por Geová Sobreira, professor da Universidade de Brasília (UnB).

Debates, encontros e palestras tinham como objetivo expandir o cordel, conhecido como ´veículo de comunicação dos sertanejos´, e dar uma nova dimensão para a xilogravura dentro das artes plásticas. A valorização da xilo como arte só veio após os anos 60, com de Robert Morel na Sorbonne (França). No estudo ganharam espaço Mestre Noza, com a Via Sacra e do artista plástico Sérvulo Esmeraldo. Em 1972, A Quadema, de Ariano Suassuna recebia xilos, assim como em “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, filme do diretor Glauber Rocha.

Entre as conferências, palestras como “Padre Cícero: Cordel e Xilogravura”, com o professor doutor da UFC, Gilmar de Carvalho; “A Xilogravura na literatura popular”, com a presidência do secretário de Cultura do Estado, Francisco Auto Filho; e, ainda, palestra do sociólogo e estudioso da cultura popular, Eduardo Diatahy.

Fonte: Nordeste Web e Diário do Nordeste

Veja também:

Clássicos da literatura de cordel

Do berço da xilogravura, a arte de José Lourenço

As xilogravuras de José Altino