20 anos sem Chico Mendes – a floresta ainda arde

chicomendesO seringueiro Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes,  defendia o direito à exploração dos recursos naturais, mas sem seu esgotamento. A preocupação com o desenvolvimento sustentável, duas décadas depois de sua morte ainda são necessárias e urgentes.
A luta contra a transformação da floresta em pasto para criação de gado, intensificada a partir do fim da década de 1970, deu visibilidade aos seringueiros do Acre, que liderados por Chico Mendes formavam barreiras humanas para impedir o trabalho das motosserras. Sua figura e suas ações — mais evidentes e comentadas no exterior do que aqui no Brasil — chamaram a atenção da imprensa mundial. Como consequência, em 1987, foi o primeiro brasileiro a receber o prêmio Global 500, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Para tentar entender porque a Amazônia continua sendo desmatada para o gado, neste momento, é crucial ler a entrevista com a Derci Teles de Carvalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri/AC que foi alijada de todos os eventos da “Semana Chico Mendes” por fazer avaliação crítica dos 20 anos após assassinato do seringueiro. Segundo entrevista concedida ao  blog da Amazônia, sua presença é inadequada porque, contrariando apelos de Anselmo Forneck, gerente do Ibama no Acre, Derci Carvalho distribuiu uma nota para lembrar que, após dezoito anos de criação da reserva, não existe política para que os seringueiros possam viver com dignidade exclusivamente da produção extrativista (esta era a principal luta de Chico Mendes). Ela explica acredita que foi mal interpretada, mas insiste. Diz que  não existe outro produto dentro da reserva que garanta geração de renda com o mesmo potencial que a pecuária porque, ao contrário da borracha, o boi não precisa nem de transporte para ser vendido. Os compradores vêm até a porta. Outro detalhe importante: um seringueiro tem que vender um quilo de borracha para a fábrica de preservativos Natex, em Xapuri a R$ 4,10. O problema é que a capacidade de produção de um seringueiro é de apenas 100 quilos de borracha, ou seja, R$ 410,00 — menos do que um salário mínimo. Ela denuncia ainda que a fábrica de preservativos, até junho deste ano, demorava até quatro meses para efetuar o pagamento. O seringueiro que estava entregando látex passava por dificuldades em todos os sentidos, chegando a faltar até os principais produtos, como o sal. São motivos contundentes para explicar porque a pecuária subsitutuiu a borracha natural.

Também é importante entender que a  reserva extrativista tem um objetivo definido — lugar aonde os seringueiros iriam continuar vivendo como viviam até aquela época, quando o extrativismo era valorizado. Derci afirma que Chico via a reserva extrativista como a alternativa de sobrevivência com dignidade para os seringueiros. Isso se daria a partir de pesquisas feitas por universidades, que legitimassem para o mercado uma série de produtos que existentes dentro da floresta. Não foi isso o que aconteceu. Para ela, a falta de políticas públicas, ou seja, a omissão do governo incentivou a pecuária. 

Os assassinos de Chico Mendes foram condenados a 19 anos de prisão. Fugiram da prisão em Rio Branco, em fevereiro de 1993, e só foram recapturados três anos depois. Em setembro deste ano, a Justiça concedeu o direito de prisão domiciliar para Darly, que hoje tem 71 anos.

Veja entrevista completa Derci Teles de Carvalho em

http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2008/12/19/o-extrativismo-florestal-no-acre-esta-falido/

Imagem extraída do site http://www.chicomendes.org

Fontes: blog da Amazônia e Radiobrás

Uma resposta para “20 anos sem Chico Mendes – a floresta ainda arde

  1. Pingback: Global Voices Online » Brazil: Chico Mendes lives on, 20 years after his death

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