Para França, brasileiro era apático e resignado

Neste 7 de setembro, dia da Independência do Brasil, o presidente francês Nicolas Sarkozy foi o convidado de honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no desfile patriótico, em Brasília. Os dois países vivem uma “parceria estratégica” — o que inclui assinaturas de acordos militares bilionários e discursos de política internacional unificados. Segundo reportagem do Terra Magazine, nem sempre Brasil e França estiveram de lua-de-mel. Em 1965, um ano após o golpe militar, o embaixador da França no Brasil, Pierre Sebilleau, manifestava alívio em relatório enviada à Paris.

“Não há o mínimo temor de uma revolta espontânea do povo o mais apático, o mais resignado à miséria que existe no mundo”… “na realidade, a massa de brasileiros, indolente e indiferente por natureza, bem ou mal se acomoda a este regime, autoritário sem dúvida, mas que revela uma grande preocupação com as formas legais, e que obteve certos resultados num dos únicos domínios que entusiasmam o popular: a luta contra a corrupção”.

E mais: o diplomata elogia o governo Castello Branco “… talvez o governo menos ruim que o Brasil já teve desde há muito tempo”, mas exprime preocupação com a ameaça comunista à época.

“A América do Sul inteira está exposta à certos perigos de subversão. O Brasil pode, um dia, ser ameaçado na sua integridade pela desproporção crescente entre o Sul rico, moderno, europeu, industrializado, e o miserável Nordeste, onde o risco do castrismo não é desprezível”.

Estes são apenas alguns documentos entre os 7 mil pesquisados pela brasileira Luciana Uchôa, autora do trabalho de relações internacionais na Universidade Sorbonne, em Paris, intitulado “A atitude da França em relação ao novo regime instaurado pelo golpe de Estado militar no Brasil de 31 de março de 1964”.

Para saber um pouco mais dos meandros da nova “parceria estratégica” de Brasil e França, e descobrir a opinião dos franceses sobre o governo Lula só daqui a 30 anos, prazo oficial de liberação para consulta dos arquivos diplomáticos franceses.

Veja matéria completa no Terra Magazine

3 Respostas para “Para França, brasileiro era apático e resignado

  1. Será que os americanófilos vão ressuscitar até o De Gaulle? Qual o estado de espírito da pesquisadora Luciana Uchôa ao publicar trechos de sua pesquisa quando o Brasil começa a assinar convênios com a França? Coincidência ou má-fé? Como estudo científico sério, aprovo e comprarei o livro. Sempre gostei de saber o que os germanos(dentre eles, os francos, pois dos anglo/saxões nos já sabemos) pensam de nós latinos, pois, como povos bárbaros estão se julgam no apogeu e nós, latinos, no hipogeu. Nada obstante as forças ocultas, ainda tenho a esperança de ver o Brasil dentre as maiores no concerto das nações.

  2. Márcio, nós também temos esperança! E torcemos para que a nossa geração ainda veja algo mais concreto! Decerto, a Luciana Uchôa só teve acesso aos documentos na última década (segundo o texto, são 30 anos pra abrir à consulta pública). No mais, achamos maravilhoso que os franceses mudaram de opinião, não é verdade? Quer dizer… só vamos ter certeza, novamente, daqui a 30 anos. Abraços, Francisco e Sandra

  3. Prezados Francisco e Sandra,
    Agradeço os esclarecimentos e passo a confiar na boa fé da Luciana Uchôa.

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