Encontro dos Povos Guarani da América do Sul

O Encontro dos Povos Guarani da América do Sul será na aldeia de Tekoha Añetete (foto), município de Diamante D’ Oeste, no Paraná, nos dias 13 e 14 de janeiro.

O evento contará com a participação de cerca de 800 indígenas Guarani do Brasil, da Bolívia, do Paraguai e da Argentina. O objetivo é fomentar uma nova perspectiva cultural que fortaleça a relação entre os povos e reduza a distância cultural entre essas populações e os não-índios. Além de contribuir para a reflexão da importância dos povos Guarani para a formação da cultura sul-americana.

A Comissão de Organização do Encontro dos Povos Guarani da América do Sul é composta por representantes da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SID/MinC), por 15 lideranças Guarani do Brasil e do Paraguai e pelo antropólogo Rubem Almeida, coordenador do projeto, além de representantes da Itaipu Binacional, do Ministério da Cultura do Paraguai, da Prefeitura da Diamante D’Oeste e do Instituto Empreender, responsável pela produção executiva.

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Uma resposta para “Encontro dos Povos Guarani da América do Sul

  1. Em defesa dos Guaranis do ES

    Os Guaranis do Espírito Santo precisam de ajuda!
    Um grupo de índios Guaranis que moravam em Aracruz, numa terra cercada de eucaliptos e improdutiva, mudaram para uma terra doada à eles em 2004 na Serra do Caparaó. Uma terra no meio da mata, fértil e com água limpa, a terra sem males. O pajé Tupã fez visitas freqüentes à essa terra durante todos esses anos, preparando o local para receber as famílias indígenas. No início do ano de 2010 vieram cerca de 6 famílias, todas com crianças, e quase nenhum indígena fala português.
    Há dois dias atrás (dia 04 de fevereiro de 2010), os Guaranis receberam a “visita” do IBAMA, ICMBio e do diretor do Parque Nacional do Caparaó, mandando eles desocuparem o local. Eles subiram até a aldeia e tiraram as lonas que cobriam as barracas. Os índios, coagidos e amedrontados por esses homens, desceram a serra carregando malas de roupas e alimentos. A televisão já noticiava o acontecido. Amigos nossos que tem um contato maior com Tupã nos ligaram e nos informaram da situação, pois moramos a poucos quilômetros da nova aldeia.
    Dia 05 de fevereiro estivemos no local. Um rapaz do ICMBio e o diretor do Parque já estavam por lá. Conversamos com Tupã e com outros índios, e falamos que eles não podem sair de lá, que eles não deviam desocupar a terra deles, pois eles tem direito de estar ali. Alguns índios jovens queriam ir embora, e outros queriam ficar. Os homens brancos e encapotados vieram com carros grandes para levarem os índios embora, mas só levariam se fossem todos, e se eles lhe dessem a palavra de que não voltariam para a serra. Depois de horas de conversa, pajé Tupã decidiu ir acompanhado dos outros jovens para a aldeia de Aracruz, e os guaranis que ficaram não voltariam para a aldeia no alto da serra. Depois que os carros foram embora, conversamos mais com os guaranis. Dois deles falavam português, Felix Cairu, o mais velho, e o jovem Valdemir. Explicamos novamente que nem Ibama, nem ICMBio nem ninguém do parque tem o direito de tirá-los de lá. Que eles deviam esperar a documentação chegar no lugar deles. E que não podiam deixar outros chegarem até a aldeia e desmontarem a casa deles. Eles resolveram então subir novamente.
    Enquanto isso, esses nossos amigos de Vitória e Aracruz já entraram em contato com Rogério e conseguiram toda a documentação burocrática que o homem branco exige.
    Enfim, o ICMBio alega que na última medição feita do parque em 2007, apesar daquela área ser propriedade particular, eles estariam com um processo de desapropriação pois não havia ninguém morando por lá. A doação foi feita em 2004, e os documentos comprovam isso. Nesse tempo, pajé Tupã estava se preparando e preparando os outros guaranis que iriam formar essa nova aldeia. Afinal, eles estavam deixando uma aldeia completamente “urbanizada” para morar na mata. A Serra do Caparaó faz divisa do Espírito Santo com Minas Gerais, e sabemos que o lado capixaba é o mais preservado. A mata que existe na região não é mais primária, devido ao extrativismo de madeira ilegal que ocorreu nos anos 20/30. Existem poucos animais na região, pois muitos eucaliptos já foram plantados e derrubados. Ainda existem pés de café das lavouras que tomavam conta do pé da serra. Sabemos que tem muita gente que continua explorando indevidamente a área. Sabemos de caçadores, sabemos dos palmitos que são extraídos. Sabemos também de pousadas que cercaram cachoeiras e que até cobram para entrar. Por isso tudo, nada é feito.
    Nessa nossa conversa com os Guaranis, percebemos como eles são de paz! Às vezes até passivos demais! Vimos como o rapaz do ICMBio tentava coagir os índios para irem embora, ameaçando chamar os federais, dizendo que ali eles não tem condições de viver no meio da mata! E quando ouvimos isso questionamos ele “e o que você pode dizer sobre o modo de vida deles? Foi uma escolha eles estarem aqui.” Percebemos também que o grupo que está aqui precisa de ajuda. Precisa de pessoas que fortaleçam juntos e que falem: vocês podem ficar aqui sim, é direito de vocês estarem aqui. E percebemos também que seria muito importante eles terem contato com outros guaranis que vivem na mesma situação deles. Muitos deles nasceram e cresceram numa aldeia urbana, vivendo em casas de alvenaria, com banheiro, e comendo alimentos industrializados. Entendo que eles precisam de um tempo para se organizarem. Os que ficaram disseram que querem ficar por aqui mesmo.
    Estamos aguardando a volta do pajé Tupã, e de outros amigos que estão lutando para que essa situação seja resolvida da melhor maneira possível. Pedimos que colaborem na divulgação dessas informações. A mídia já está veiculando suas matérias, o Brasil tem que saber o que está acontecendo aqui! Força aos Guaranis!

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