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Cultura “bodística” é cantada em ópera na XII Festa do Bode Rei

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Monumento ao bode na praça central em Cabaceiras, PB. Foto Adino Bandeira/Flickr.

A XII Festa do Bode Rei, em Cabaceiras, PB (a Roliúde Nordestina), terá uma ópera popular para cantar a “cultura bodística”. Ópera é um gênero artístico que consiste num drama encenado com música. O espetáculo “O Mundo Encantado do Bunderoso Bode” conta a história do casamento da Princesa Quasimoda com o Príncipe Otelo e mistura cultura medieval e folclore nordestino.

O espetáculo será encenado nas ruas centrais da cidade nos dias 4 e 5 de junho de 2010 durante a XII Festa do Bode Rei. O texto foi escrito por Wills Leal. A montagem do espetáculo é mais uma ação do projeto Ponto de Cultura Marcas Vivas de Cabaceiras, uma parceria entre o Ministério da Cultura, o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional Iphan e a Prefeitura Municipal de Cabaceiras.

Foto: Adino Bandeira/Flickr

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Folclore: identidade cultural do Brasil

Hoje é o dia do Folclore! Em todas as partes do mundo, cada povo tem seu folclore, sua forma de manifestar suas crenças e costumes. O folclore se manifesta na arte, no artesanato, na literatura popular, nas danças regionais, no teatro, na música, na comida, nas festas populares como o carnaval, nos brinquedos e brincadeiras, nos provérbios, na medicina popular, nas crendices e superstições, mitos e lendas.

Luís da Câmara Cascudo, nascido em Natal, RN, foi o maior estudioso do folclore brasileiro. Sua obra é uma referência para se tratar do assunto. O folclore, em especial a partir do século 20, serviu de base para a produção da arte culta brasileira. Os exemplos estão presentes em todas as artes. O pintor ítalo-brasileiro Alfredo Volpi fez das bandeiras das festas juninas um elemento freqüente de seus quadros e gravuras. O compositor fluminense Villa-Lobos aproveitou-se de temas do folclore em sua obra musical.

Na literatura, Da mesma maneira, o paraibano Ariano Suassuna compôs uma ampla obra teatral baseada na tradição folclórica nordestina. Como exemplo, podem-se citar “O Auto da Compadecida” ou “A Pena e a Lei”, sem falar no monumental “Romance da Pedra do Reino”.

O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular disponibiliza vários textos acadêmicos que tratam sobre o Folclore e Cultura Popular.

A fogueira, ícone das festas populares e dos rituais sagrados

No Brasil, a  fogueira junina está associada a São João Batista, para lembrar que foi assim que sua mãe Isabel anunciou a Maria seu nascimento. Interessante é que a fogueira de São João também costuma ser acesa em vários outros países, inclusive em países não-católicos porque, muito antes do nascimento da igreja, os pagãos já honravam as divindades com fogo em rituais agrários. Assim uma enorme fogueira era acesa na Festa do Sol (relativo ao solstício de verão, o dia mais longo do ano entre 21 ou 22 de junho), principalmente em agradecimento às colheitas.

Fogueira de São João são  populares na Finlândia, onde parte da população passa o dia de São João ("Juhannus") no campo ao redor das cidades em festejos. Foto: Wikipedia.

Fogueira de São João são populares na Finlândia, onde parte da população passa o dia de São João ("Juhannus") no campo ao redor das cidades em festejos. Foto: Wikipedia.

Apesar de ser um ritual pagão, a festa era muito tradicional o que impossibilitou a sua condenação através das leis da Igreja. Dessa maneira, criou-se a Festa de São João, em 24 de junho (data próxima do solstício de verão), para adaptar ao calendário oficial cristão. Desde então, durante o solstício do verão se comemora a festa de São João (ou Festa do Sol) no hemisfério norte, enquanto no Brasil comemoramos o São João — até porque aqui é época de inverno.

Na Europa, os festejos de solstício de verão foram adaptados à cultura local, de modo que em Portugal foi incluída a Festa de Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua, em 13 de junho. Mais tarde, também foi incluído as festas de São Pedro e São Paulo, comemorados em 29 de junho, completando o ciclo de eventos festivos da Igreja.

A comemoração das festas juninas é certamente herança portuguesa no Brasil, acrescida ainda dos costumes franceses que a elas se mesclaram na Europa. Quando os jesuítas chegaram ao Brasil, difundiram várias festas religiosas, em especial as festas juninas – comemoradas com fogueiras, rezas e muita alegria -, que coincidiam com o período em que os índios realizavam seus rituais de fertilidade.

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Atualmente, as fogueiras são reprimidas em vários lugares e tem sido criticada por ambientalistas. Na festa de Campina Grande, a fogueira de quase 20 metros de altura é cenográfica, para evitar impactos ambientais e prejudicar a visibilidade de pilotos de aeronaves, já que esta época atrai muitos turistas.

Fontes: Universia, Biblioteca Virtual SP

Estilista paraibano homenageia Clara Nunes

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Foi de maneira autoditata nas tecelagens no bairro de Bom Retiro, em São Paulo, que Arnaldo Ventura aprendeu o ofício de estilista. Já são mais de dez anos que este paraibano, apaixonado pela metrópole paulistana, assina a própria coleção. Para o Verão 2009 ele se pautou no ícone da MPB Clara Nunes.
O seu canto e culto à natureza estão representados nas flores e folhas que remetem às matas. O branco simboliza o visual marcante da cantora, também reconhecida por seu estudo às tradições e danças afro-brasileiras e, principalmente, pela sua devoção ao Candomblé, resultado de suas várias viagens em pesquisa pela África.

Folclore da Itália em show pelo Nordeste

Num projeto de cooperação cultural e intercâmbio, a banda italiana Nidi d’Arac se apresenta pela primeira vez no Brasil no mês de outubro. Serão quatro shows nos Estados da Paraíba e Pernambuco onde o grupo vai apresentar a Pizzica, uma tradição folclórica do Salento, região Sul da Itália.

Nidi d’Arac significa “Ninho de Aranha” em alusão à sua base musical inspirada no “Tarantismo”. O folclore surgiu da picada da “taranta” (tarântula mediterrânea) — capaz de provocar crises histérico-compulsivas em suas vítimas  e um mal estar geral –, curável apenas através da terapia musical da Pizzica e pelo ritual purificante da dança, ao ritmo do pandeiro, flauta e do violino.

O intercâmbio entre a Itália e o Brasil prevê a realização de uma segunda etapa com a ida de um grupo do Nordeste brasileiro, que da mesma forma vai difundir a cultura nordestina naquele país. Toda a turnê do Nidi d’Arac será registrada por uma equipe de TV italiana, que vai acompanhar o grupo durante a viagem.

Os shows são beneficentes e toda a arrecadação será destinada a projetos sociais das cidades aonde o grupo se apresentará.

Campina Grande – 17 de outubro (Teatro Municipal Severino Cabral)
João Pessoa – 18 de outubro (Teatro Paulo Pontes)
Recife – 23 de outubro (Teatro Santa Isabel)
Recife – 24 de outubro (Teatro Armazém)

Realização e patrocínio: Consulado da Itália em Recife, Província de Lecce (Puglia – Itália) e Instituto de Cultura Mediterrânea.

Jongo: orgulho e preconceito

O canto ao ritmo de tambores e a dança com marcação de palmas ecoa no vale do Paraíba desde o século 18, quando os negros do antigo Reino do Congo chegaram para a lida escrava nas fazendas de café de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nas noites das senzalas, o jongo era entretenimento para compensar a dura jornada.

Hoje, marco de identidade social contra a escravidão, a manifestação de origem africana sobrevive. E fundamentado pelo Iphan, o Jongo se consolida como patrimônio cultural no Livro de Registro das Formas de Expressão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

O livro-dossiê Jongo no Sudeste, com lançamento em 11 de outubro, no Rio de Janeiro, é resultado de visitas a comunidades, pesquisas e gravação de audiovisuais produzidos pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Iphan. Abaixo, reprodução do convite que recebemos.